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4. O EVANGELHO DO CAMINHO

O evangelho de Lucas é conhecido como

"o evangelho do caminho".

     No caminho, Jesus transmite seus principais ensinamentos a seus seguidores e seguidoras. Seguir Jesus exige deixar-se mover pela compaixão e aproximar-se das pessoas marginalizadas  e excluídas. Esse foi o caminho de Jesus, e o da pessoa cristã não pode ser diferente.Entre as muitas possibilidades de leitura desse evangelho, eis o caminho que propomos: o encontro entre Maria e Isabel (Lc 1,39-56) é um convite para acreditarmos na solidariedade fraterna que gera comunhão de vida. Com Maria, queremos celebrar a presença de Deus na história do seu povo e em nossa história. Como Maria, que se coloca a caminho para servir Isabel, que sai da periferia para o centro, a comunidade cristã do século I e nossas comunidades hoje são chamadas a seguir Jesus, fazendo-se solidárias com as pessoas necessitadas.

     O evangelho de Lucas proclama quatro bem-aventuranças aos pobres e quatro maldições contra os ricos, ou seja, são advertências contra a sociedade individualista e a busca desenfreada de riquezas (Lc 6,20-26).

     Nesse contexto, as bem-aventuranças anunciam a transformação de uma sociedade injusta e o projeto de inclusão social para as pessoas marginalizadas e excluídas. A prática do amor e da justiça exige de cada pessoa cristã o compromisso com a construção de uma sociedade justa e fraterna.

     Outro texto que nos ajuda a retomar a prática da misericórdia é a parábola do samaritano (Lc 10,25-37). No tempo de Jesus e das primeiras comunidades, ainda havia um excessivo apego às leis. Um judeu, para ser puro diante de Deus, devia cumprir as exigências da Lei: pagar dízimo, dar esmolas, orar, jejuar, guardar o sábado e não manter contato com as pessoas que eram consideradas impuras, por exemplo: deficientes físicos, doentes, pobres, indigentes e estrangeiros, como o samaritano, por exemplo.

     “Quem é o meu próximo” é a perspectiva de quem se preocupa com o cumprimento da Lei; a parábola inverte a questão: “quem se tornou próximo daquele  que caiu nas mãos dos  assaltantes?” (Lc 10,36). É uma parábola que provoca uma revisão de nossas atitudes e preconceitos. É um espelho que nos ajuda a refletir se vivemos a compaixão e a solidariedade ou se ainda continuamos apegadas/os às normas e prescrições que, muitas vezes, nos impedem de vivermos a fraternidade.

     A leitura da parábola do pai misericordioso (Lc 15,11-32), que ama seus filhos de maneira incondicional, contém um forte apelo para vivermos a misericórdia. No tempo de Jesus, a teologia oficial, conhecida como a teologia da retribuição, afirmava que Deus recompensava uma pessoa justa com riqueza, vida longa e descendência, e uma pessoa injusta com pobreza, esterilidade e sofrimentos. Os pobres, os doentes, as pessoas com alguma deficiência física e os estrangeiros eram considerados impuros (Ex 20,5; Sl 38,2-6).

     De acordo com a Lei oficial, era proibido o contato com pessoas impuras. Indo na contramão da teologia oficial, muitos grupos continuaram afirmando que Deus não abandona os pobres, mas caminha com as pessoas que sofrem, ele “protege o estrangeiro, sustenta o órfão e a viúva” (Sl 146,9). Não é o Deus do sacrifício, mas o Deus da misericórdia. É esse o rosto de Deus que Jesus nos revela na parábola do pai misericordioso. É preciso entrar e participar da festa da vida, “pois esse teu irmão estava morto e voltou a viver”.

     Será que nós entraremos nessa festa?Para coroar a leitura do evangelho, propomos a narrativa dos discípulos de Emaús (Lc 24,13-35).

     A decepção e a frustração estão presentes nos sentimentos dos discípulos de Emaús: “Nós esperávamos que fosse Jesus, o nazareno, quem libertaria Israel”. Os discípulos e o povo esperavam um messias-rei que fosse forte e derrotasse o império romano, dando liberdade para o povo judeu e restabelecendo a realeza de Israel. Esse ensinamento fazia parte da catequese oficial dos judeus e era a maneira de pensar de muitas pessoas. Por isso, os seguidores e as seguidoras de Jesus tiveram dificuldade de entender a maneira de agir de Jesus. Nessa realidade de dúvida e descrença, a comunidade de Lucas descreve como fez a experiência de Jesus ressuscitado na comunidade. Que o Espírito de Deus nos dê abertura para vivermos a partilha e a solidariedade e, assim, renovar a certeza de que o Ressuscitado está vivo entre nós.

     O caminho de Jesus é o caminho da compaixão e da solidariedade. É caminho aberto

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Fonte http://leituraorante.comunidades.net/1-caminho-aberto-para-o-proximo